Covilhã, Torre, Sabugueiro e Seia
Fiz uma escapadinha à serra mais alta de Portugal Continental. Um destino de natureza onde encontrei vales cobertos de neve, vários miradouros, lagos e aldeias históricas. Sempre com uma paisagem que transmite a tranquilidade que se vive no interior de Portugal.
A presença de neve tornou a paisagem ainda mais bonita e propícia a aventuras. Contudo, o Parque Natural da Serra da Estrela é muito mais do que neve e não se resume à zona da torre, o principal local visitado pelos turistas.
Nesta publicação partilho o meu roteiro de dois dias pela Serra da Estrela.
Resumo do fim de semana:
Dia 1: Covão d’Ametade – Covilhã – Hotel Pura lã
Dia 2: Miradouro da Varanda dos Carqueijais – Torre – Sabugueiro – Seia
Dia 1: Covão d’Ametade – Covilhã – Hotel Pura lã
Fiz a viagem durante a manhã e cheguei às Penhas da Saúde à hora de almoço. Esteve um dia nublado e de chuva. Pretendia visitar a torre neste dia. Devido às condições climatéricas o acesso à torre estava encerrado e todo o meu roteiro teve de ser modificado.
Segui em direção ao Covão d´Ametade. Localiza-se no início do vale glaciário do Zêzere.
Há quem o chame de bosque encantado, principalmente quando está coberto de neve. A chuva não ajudou muito a explorar este covão, mas é um ótimo lugar para apreciar a natureza, caminhar e até fazer um piquenique.
Com a chuva a não dar tréguas, desci a serra sem conseguir aproveitar a vista dos miradouros devido ao nevoeiro. Fui visitar o centro histórico da cidade neve.
A uma distância de 20Km da torre encontra-se a Covilhã, uma cidade que já visitei várias vezes. É a cidade da indústria da lã e de estudantes universitários.
Nesta visita o meu principal interesse foi explorar a rota arte urbana.
Estacionei o carro próximo do mercado municipal e fui em direção ao miradouro das Portas do Sol. Em dias de sol é possível apreciar a vista.
Seguindo a rua Portas do Sol fui encontrando várias ruas com murais de street art. É uma surpresa a cada rua que percorremos.
A igreja de Santa Maria Maior é uma igreja barroca revestida de azulejo.
Segui em direção à Praça do Município onde se encontram a câmara municipal, o teatro municipal e a igreja da misericórdia.
Também por aqui existem algumas lojas com típicos produtos serranos.
Ao final da tarde fui até ao Puralã – Wool Valley Hotel & SPA. Foi o alojamento que escolhi para passar a noite. O hotel é acolhedor e situa-se numa zona tranquila.
Foi no spa que terminei o dia de uma forma relaxante.
Dia 2: Miradouro da Varanda dos Carqueijais – Torre – Sabugueiro – Seia
Após um completo pequeno-almoço de hotel, fui aproveitar mais um dia em terras serranas.
O dia amanheceu com céu limpo e sol e foi possível ir até à torre.
Mais uma vez percorri as cénicas estradas, repletas de curvas, subindo a serra. E desta vez o bom tempo permitiu uma paragem com vista no Miradouro da Varanda dos Carqueijais. Foi recentemente considerado um ponto de paragem obrigatório a quem visita a serra.
Trata-se de uma plataforma pedonal suspensa com vista para a paisagem da Covilhã, Cova da Beira, Serra da Estrela e a natureza envolvente.
Depois de passar por Penhas da Saúde, com cerca de 1500 metros de altitude, começo a ver uma paisagem completamente pintada de branco. A noite tinha sido de nevão.
Próximo da Torre desfrutei de algumas horas de brincadeiras com as crianças, bastantes escorregadelas e muitas gargalhadas.
E foi cumprido o ritual de fazer um boneco de neve e praticar sku.
De repente o sol desapareceu e começou a nevar. Ainda fui ao centro comercial da Torre onde é possível comprar uma variedade de queijos e outros produtos típicos da região.
A Torre encontra-se a 1993 metros de altitude, sendo considerado o ponto mais alto de Portugal Continental. É aqui que se situa a única estância de ski do país.
Depois segui caminho na direção de Seia. Esta manhã com algumas horas de sol foi uma sorte porque ao descer a Serra percebi que o acesso já se encontrava novamente fechado.
A paragem seguinte foi no Sabugueiro. É conhecida como a aldeia mais alta de Portugal, com uma altitude de 1050 metros.
É uma aldeia tradicional com típicas casas de granito. Num passeio pelo centro histórico podemos encontrar a igreja matriz e uma fonte. Fui recebida por um sorriso daqueles que habitam esta aldeia de montanha.
Outra atração desta aldeia é a praia fluvial do Sabugueiro com um parque de merendas. Certamente que será um agradável e refrescante local nos dias de verão.
A viagem continuou e terminou em Seia, no universo do pão.
Quando penso em Seia é inevitável não pensar no queijo de Seia, mas é também conhecida pelo pão.
O museu do pão tem uma dimensão maior do que eu imaginava. São necessárias pelo menos três horas para ver tudo com calma e desfrutar do espaço.
Existem 4 salas temáticas, uma mercearia tradicional, um bar e um restaurante.
Na primeira sala é apresentado o ciclo do pão através de uma recriação do antigo ciclo tradicional do pão português.
A bicicleta pasteleira era o meio onde se transportava o pão.
E como se diz pão no Mundo?
Faz parte da coleção do museu uma escrivaninha que pertenceu a Fernando Pessoa. O poeta chegou a escrever alguns poemas com referência ao pão.
Ainda existe um espaço temático dedicado às crianças. Os duendes da tribo dos Hérmios recriam a história do pão e no final as crianças colocam a mão na massa para trazerem uma recordação do museu.
O museu está aberto de quarta-feira a domingo entre as 10 e 18 horas. O bilhete de entrada tem um custo de 7,5€ para adultos, 4€ para crianças e 5€ para séniores.
Em Seia também existe o museu do brinquedo e o museu da eletricidade que tiveram de ficar para uma próxima visita.
E assim terminou esta escapadinha com um fim de semana bem preenchido. Sem dúvida que a Serra da Estrela tem um encanto especial com neve e céu limpo. Fiquei com vontade de voltar numa altura fora do inverno para vivenciar os inúmeros trilhos que é possível fazer e desfrutar das praias fluviais.
Bons passeios!