By A Titi já volta

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Passadiços do Paiva – uma caminhada em plena natureza

 

Os Passadiços do Paiva situam-se no concelho de Arouca, no distrito de Aveiro, e foram inaugurados em 2015. O seu reconhecimento é internacional e já ganharam vários óscares do turismo.

Há alguns anos que pretendia fazer este percurso e assim que entrámos na terceira fase de desconfinamento da pandemia covid-19, e antes da inauguração da ponte 516 Arouca, decidi aventurar-me naquele que foi um passeio surpreendente. Os passadiços estão inseridos num cenário ideal para uma caminhada junto da natureza. E ver fotografias na internet não é a mesma coisa que sentir a natureza em pleno. Numa manhã de Primavera de um dia de semana, com poucos caminhantes, foi possível admirar as paisagens, explorar a flora e escutar a fauna.

A entrada tem um custo de 1€* no período de 1 de novembro a 31 de março e 2€* de 1 de abril a 31 de outubro ao adquirir o bilhete online. No local o bilhete custa o dobro do valor. Aos fins de semana e no verão recomendo a compra antecipada. Podemos escolher o horário de entrada das 9 às 13 horas ou das 13 às 16 horas.

Os emblemáticos passadiços têm uma extensão de 8,7 Km, seguem a margem esquerda do rio Paiva e ligam Areinho a Espiunca.

Podem ser percorridos em ambos os sentidos, mas é o sentido Areinho – Espiunca que é considerado menos exigente. Penso que a razão será porque se começa por fazer a parte mais exigente do percurso logo no início, em vez de deixar para o fim.

Segui este conselho e estacionei o carro no parque de estacionamento da praia fluvial do Areinho. Trata-se de uma pequena praia com alguma areia e tem um bar.

 

Com calçado confortável foi altura de iniciar a caminhada. O início é um trilho de terra batida e é a partir da ponte de Alvarenga que os passadiços pedonais de madeira começam a deslumbrar.

É desde a ponte de Alvarenga que se observa a Garganta do Paiva. É um geossítio que caracteriza o segmento do rio Paiva onde o leito se torna mais estreito até ao Vau.

A grande escadaria é mesmo a parte mais exigente do percurso. Mas a vista que começamos a ter faz esquecer os degraus.

 

Neste momento o grande destaque da paisagem é a ponte 516 Arouca. Trata-se da maior ponte pedonal do Mundo, com 516 metros de comprimento de 175 metros de altura. A ponte encontra-se sobre um enorme vale.

A partir de um miradouro temos vistas sobre o rio, a montanha e ainda é possível admirar a ponte e a Cascata das Aguieiras. A cascata é formada pela queda de água da ribeira das Aguieiras. As águas caem pelas escarpas graníticas do rio Paiva.

 

Depois do miradouro é altura de descer a escadaria.  A partir daqui o percurso fica mais plano e a parte mais exigente do percurso está feita.

 

Cada vez mais impressionada com a beleza do percurso, são vários os pormenores a que fui estando atenta. Ao longo do percurso encontramos os chamados biospots com informação sobre a diversidade de espécies, como insetos e plantas, e também referências à geologia e geossítios. No Paiva podemos encontrar algumas espécies ameaçadas na Europa.

A partir daqui fui apreciando a caminhada com tranquilidade. Uma surpresa foi ver que as cabras também passeiam próximo dos passadiços.

A força das águas límpidas do rio a descer sobre as rochas é impressionante.

 

Depois chegamos a uma ponte suspensa. A travessia da ponte é opcional. Se passar para o lado de lá terá que regressar novamente para continuar o percurso.

Mais uns metros à frente chegamos à praia fluvial do Vau. Tem uma área razoável de areia e sombras das árvores, sendo o local ideal para fazer uma pausa com um lanche. Mais uma oportunidade de apreciar a transparência da água que no verão será ótima para refrescar. Ainda cheguei a por os pés de molho.

 

Quem não tiver em boa condição física pode terminar o percurso no Vau. Mas neste local não terá táxi à sua espera, apenas por contacto telefónico.

A partir do Vau já só faltam 4 Km e ainda há muito por apreciar. A caminhada prosseguiu com o silêncio apenas interrompido pelos sons da natureza.

A Gola do Salto é um geossítio que podemos observar através de uma plataforma junto dos passadiços. Trata-se do desnível mais acentuado no leito do rio Paiva, em cerca de 3 a 4 metros, e é considerado um dos locais perigosos para a prática de desportos de águas bravas como o rafting e o kayak.

É incrível vivenciar a força e rapidez das águas nesta zona.

 

Mais à frente chegamos ao quilómetro 8 e fico com a sensação de missão cumprida.

Após 700 metros chegamos ao final do percurso, na praia fluvial de Espiunca.

 

Os mais corajosos podem fazer o percurso de volta.  Eu optei pela deslocação num transfer 4×4 para regressar ao Areinho por 15€*.

 

Recomendo uma visita aos passadiços nas alturas do ano menos turísticas para poder sentir a natureza em tranquilidade e sem grandes confusões. No verão imagino que a dificuldade do percurso seja maior devido ao calor. 

Termino reforçando que os Passadiços do Paiva são o local ideal para quem procura apreciar a natureza com paisagens de cortar a respiração e observar formações rochosas, vida selvagem, cascatas, praias fluviais e pontes suspensas.

Powered by GetYourGuide

 

Mais informações no site oficial dos Passadiços do Paiva.

*Todas as referências a preços basearam-se na minha experiência no ano de 2021.

 

Como complemento, recomendo a leitura da publicação sobre Arouca e a Serra da Freita.

 

Boa caminhada!

Cristiana Matos

Apaixonada por descobrir novos lugares e culturas à volta do mundo. Criei o Viagens que Contam onde partilho histórias, dicas e roteiros das minhas viagens. Aqui encontra inspiração para escolher o seu próximo destino e dicas para planear viagens inesquecíveis.

 

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6 Comentários

  • Visitei no verão passado e a escadaria inicial quase me matou É uma experiência fantástica! Sente se uma tranquilidade única e uma conexão com a Natureza especial

    • Essa escadaria é mesmo a parte mais difícil. Mas consegui distrair-me com a magnífica paisagem.

  • simplesmente...

    Excelente descrição.Fotografias muito lindas.Foi quase como ter ido lá.

  • Estão na minha lista há uns anos e ainda na semana passada falei nisso. Acho que não passa deste ano, logo agora que estamos todos a precisar de “esticar as costelas” e voltar a “mexer os ossos” depois de tanto confinamento.

    • É um ótimo local para desconfinar e esquecer os últimos tempos. Sugiro que adicione pelo menos mais um dia para explorar a Serra da Freita. Brevemente irei publicar um post sobre as magníficas paisagens desta serra. Bons passeios

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